quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nuvem? De algodão?

Numa tarde cinzenta de uma terça-feira com cara de triste e desolada, um grande conglomerado de nuvens começou a se juntar, com o objetivo de formar uma grande tempestade.
Nuvens grandes, médias, pequenas outras sem medidas exatas e de formas retorcidas chegavam de todos os lados, algumas rolavam e deslizavam sobre o céu ainda azul daquela manhã, se unindo a uma grande massa cinzenta que pairava pelo ar.
Mas havia uma pequenina nuvem que não tinha o mesmo entusiasmo das outras e negava-se a se juntar com a grande massa acinzentada, ela era fofinha e parecia ser muito macia, ali parada então ela ficou. Desconfiada, insatisfeita, reflexiva e depois de um suspiro mal soltado ela disse:
_Por que tenho que me juntar a você? _E me transformar em uma horrorosa tempestade?
_Por que esse é o fluxo da natureza. _Mas por que se nega a juntar-se a min, quando nenhuma outra diz não?
A pequenina nuvem ficou muda e não soube como responder aquela pergunta. Percebendo o conflito crescente nos silenciosos pensamentos da pequena nuvem, a grande nuvem cinza resolveu acabar com aquela conversa de uma vez, e por um fim naquela situação.
_Nossa missão, é preservara vida da terra, por isso passamos por alguns estágios como o líquido, gasoso e o sólido, somos fruto de um grande círculo vicioso onde nossas ações preservam a vida e sustentabilizam a terra.
_Mas mal tocamos na terra, e ficamos a maior parte do tempo flutuando no ar, por que temos que preservá-la? _Isso deveria ser tarefa deles, que acordam, comem e vivem dela...
_Hum!_Você faz perguntas demais, um dia você acabar virando um gelo seco, e vai ficar vagando dentro de um frízer escuro e fedido.
_Não vou não!!!_Por quê eu nunca mais vou me juntar novamente a outra nuvem, e jamais irei virar chuva novamente!!!_Sendo assim serei como um ser único e livre, de agora em diante farei minhas próprias escolhas e tomarei minhas próprias decisões.
_Ora!_Ora!_Seu pequeno pedaço de nuvem inútil, vamos parar logo com essa brincadeira e venha se juntar com a gente de uma vez por todas. _Antes que eu acabe me zangando e me transformando em uma terrível tempestade antes do tempo.
Enquanto a grande massa cinzenta esbravejava, trovões roncavam sob aquele céu acinzentado e relâmpagos clareavam a face daquela gigantesca massa de nuvens, fazendo-a ficar cada vez maior.
Floques era assim chamada, à pequenina nuvem que refletia teimosia e curiosidade. E lentamente ela foi se afastando, da grande e furiosa tempestade que começava a se formar em sua frente. Mas antes que o grande conglomerado de nuvens perde-se o controle, soltou suas últimas palavras. E como um grande estrondo disse:
_Essa é a sua última chance, se quiser se juntar a nós tem que ser agora, eu já estou quase perdendo o controle e em poucos minutos vou me transformar em uma terrível tempestade. _A escolha é sua ou se junta a nós ou ficar vagando por aí sozinha, perdida até que vire gotas de chuva e acabe como uma raspadinha de gelo de algum sabor ruim.
Mas a argumentação da grande massa cinzenta não convenceu a pequena nuvem branca, que balançou seu corpo macio e flácido de um lado para o outro, como sinal de quem não se importava e partiu sem ao menos dar uma olhadinha para trás. Deixando o círculo vicioso que havia domado sua vida, até aquele implícito momento de liberdade...
Pela primeira vez em toda sua inexistência, Floques experimentou o maravilhoso sabor da liberdade e provou o toque de algumas de suas amigas que haviam se tornado gotas de chuva, elas tocavam em sua macia pele branca e molhavam suas flácidas camadas macias.
Vagando livremente por entre aquela branda tempestade, que acabara de começar, Floques ficava cada vez mais admirada, o vento forte da tempestade batia em sua pele e a levava cada vez mais para longe, fazendo-a chegar em lugares que ela nunca havia visto antes.
Aos poucos à tempestade se acalmou, e o pequeno pedaço de nuvem branca que explorava os céus, agora arregalava seus olhos apertados, tentando enxergar o lindo campo de flores que estava sob sua flácida pele úmida e gelada.
_Nossa como são bonitas!_Nunca imaginei, que as flores tinham tantas formas e cores!_Agora que estou mais próxima das sociedades, estou começando a entender, por que aquela gigantesca nuvem cinza, falava sobre preservar a vida na terra.
Enquanto a macia nuvem branca contemplava as flores foi surpreendida por um atrevido beija-flor, que chegava de mansinho e tomava com muito cuidado o néctar das flores, alguns até diriam que ele parecia estar roubando o coração de uma donzela, por conta de sua extrema delicadeza.
_Isso é realmente incrível!_Será que isso... _ É o que chamam de natureza?
De repente um vento muito, mas muito forte, acertou em cheio Floques e a arrastou novamente, mas dessa vez para um lugar refleto de vida e harmonia, onde a energia da inexistência fluía pelos campos compulsivamente.
O fluxo da vida gerado por toda aquela correria, encantou os olhos daquela fofa nuvenzinha, que surpreendida com todas aquelas cores, e formas, distraída disse:
_Tantas formas, e tantas cores, de onde será que vem toda essa euforia?_E para onde será que vai, toda essa energia?
E Floques sendo então tomado por essas indagações, parou, sentiu e começou a refletir a problemática de sua própria energia, chamada vida.
_Como posso eu querer saber de onde eles vêm, ou para onde vão?_Se eu nem ao menos me lembro, qual foi a primeira vez que eu estive aqui, de onde eu vim? _Ou para onde eu vou?
Aquele pequeno pensamento tomou fôlego e se tornou grande, transformando em um grande turbilhão as águas calmas de sua emoção.
Foi como apertar um dispositivo de alerta, a mente de Floques e os seus pensamentos ficarão tão acelerados, que inúmeras perguntas e dúvidas, começaram a percorrer em sua mente e perturbar sua razão.
Perdida e confusa, ela tentava apertar o freio e desacelerar seus pensamentos que trituravam seus neurônios, como um velho triturador enferrujado. Enquanto buscava entender o que ocorria em sua mente, um vento brando e fraco soprou em sua pele macia, e a arrastou por mais alguns quilômetros dos campos verdes, decorados com flores que ela tanto admirara.
Seus olhos de repente ficaram vagos, e perdidos no nada. Já não se encantavam mais com as pequenas e finas gotas de chuva, que faziam seu belíssimo show ao ar livre. Um vazio obscuro e latente já havia dominado sua visão, foi quando de repente seus olhos a traíram. Floques foi apanhada de surpresa por uma imagem que ajudou a acalmar a grande tempestade que acontecia em sua mente.
Uma pequena formiga passava por entre um gramado esverdeado e bem parado, ela carregava uma enorme folha, que parecia ser três vezes maior que seu próprio corpo. Enquanto as gotas de chuva caíam e espalhavam-se em seu caminho criando pequenas poças de água, que afundavam seus delicados pés, a pequena formiga seguia em frente enfrentando todos os obstáculos com garra e determinação.
_De onde vem, tanta garra? _Tanta determinação? – Por que continuar? _Aonde ela pretende chegar? _Se fosse eu já teria desistido, tanto esforço equivale a tanta disposição...
Floques impressionou-se tanto com a persistência e disposição daquela pequena criatura, que mal percebeu que a tempestade aos poucos foi cessando e o tempo havia se acalmado outra vez.
Através da retina de seus  grandes olhos brancos, dava-se para perceber que o grande vendaval que estava devastando sua mente também começava a se acalmar, e foi quando enormes casas e prédios começaram a surgir, foi que Floques percebeu que estava sobrevoando uma cidade grande.
Mas rapidamente ela percebeu que algo de errado estava acontecendo, o sol havia aparecido ainda timidamente no céu a tempestade finalmente se dissipara, então a pequena nuvem começou a sentir que seu corpo a cada instante que passava, ficava mais pesado.
_Oh não! _Por que estou caindo? _Por que a cada novo conhecimento, a cada nova imagem eu venho me sentindo assim, estranha e pesada como se as nuvens não fossem feitas para nada, somente para molhar e preservar a terra...
Agora a macia e pensante nuvem, caia continuamente do céu, como se estivesse sendo empurrada para baixo, indignada e revoltada ela soltava palavras e fazia gestos recheados de murmurações.
_Cada parte do meu corpo esta se desfazendo, e se transformando em gotas de chuva!!!_ Talvez eu não possa fugir do círculo vicioso criado pela própria natureza, de hora estar aqui e outra hora partir. _Mas sei que logo em nuvem me transformarei e poderei nem que seja por alguns instantes, provar novamente desse saboroso fruto, chamado vida.
O corpo de Floques, já havia perdido quase toda sua estrutura e a cada pensamento que tinha, seu corpo diminuía, e quando ela já não tinha mais massa suficiente para formar pensamentos, resolveu apenas contemplar aquele mundo que ela tanto aprendeu a admirar.
Seus olhos apenas viam um pai segurar seu pequeno filho no colo, enquanto à pequena criança apontava seu dedo indicador, para o alto. E perguntava-lhe continuamente alguma coisa, que Floques  conseguiu ouvir quando chegou bem perto deles.
O pequeno menino tocou com seu dedinho na pequena nuvem que caíra do céu, e voltou a perguntar a seu pai:
_Papai, nuvem? _De algodão?

Autor: Levi D.S

Convulsão


Hoje vou lhes contar a estranha história de um garoto que morava numa pequena cidade, localizada no sudoeste de algum lugar sombrio, onde há muito tempo havia se perdido do tempo e do espaço. Umas das poucas coisas de que me lembro, é que a luz do sol havia abandonado aquele local há alguns séculos, assim os dias acabaram tornando noite e as noites  acabaram se tornando  dia.
O nome do menino era Féu ô Fininho, ele era tão magro que sua mãe às vezes tinha que colocar, seu velho óculos de grau para poder enxergá-lo. Ele era tão fino quanto à ponta de uma agulha, uma das coisas que mais odiava em sua vida era seu enorme nariz, que de tão grande chegara a pesar em sua face, empurrando-lhe muitas vezes na direção oposta à que se anda, para o chão.
Sua pele rosada se confundia com os seus ossos, compridos e embranquecidos, dando-lhe uma estranha estatura engraçada e confusa. Olhos grandes e esbugalhados formatavam seu rosto comprido e cheio de sardas, despenteado e com seus finos cabelos castanhos espetados para cima, tinha uma aparência estranha como de uma velha vassoura de palha.
De quando em quando tinha sonhos coloridos, adorava vagar pela terra dos sonhos. Contemplava as cores do arco-íris, sentia o sabor das frutas vermelhas e passava a tarde inteira respirando o ar puro das colinas esverdeadas.
_Que lugar é esse? _Aqui as cores tem vida, o céu e a terra têm bons tons, os pássaros voam e cantam felizes. _A paz reina ao invés da perturbação e essa luz estranha deve ser o sol que ilumina toda imensidão.
_Fininho!!!_ Acorda meu filho, já fazem cinco luas minguantes que você esta ai trancafiado nesse quarto, e coberto com esses lençóis cheios de dor e lamentação, desse jeito querido você vai acabar ficando louco e  caindo em uma depressão.
Povo estranho seu calendário foi criado baseado nas fases da lua, se minha memória não fosse tão falha, explicaria tudo com calma para vocês.
_Sonhos? _Será que são frutos da minha imaginação ou vêem de outra dimensão?_ Tudo bem mãe, eu já voltei mesmo do outro mundo, que doce ilusão...
Nas ultimas noites, Féu estava agindo estranhamente, um grande vazio havia invadido seu peito e seu coração, e quanto mais isso crescia mais prejudicava sua visão. As cores fortes de seu mundo já não alimentavam sua emoção, e aos poucos tudo foi ficando sem graça, sem vida e sem tom, até que em certo momento a cor cinza tinha tomado conta, completamente de sua razão.
Ele enxergava agora um mundo acinzentado, as coisas haviam perdido seu sentido e ficado obscuras, em uma de suas noites mal dormidas teve um sonho diferente, sonhou com um mundo cheio de cores quentes, um lugar onde a euforia e a alegria eram irmãs, o prazer substituía a nostalgia e deste então Féu tem ficado em sua cama tentando voltar para aquele lugar tão cheio de maravilhas.
_Quem me dera poder sonhar acordado, assim não teria que expor os meus olhos a esse mundo sem cor, cheio de pessoas e objetos com tons de uma pintura fraca e sem sabor.
Deitado em sua cama, ouvia com atenção os movimentos súbitos de seu quarto, as paredes eram banhadas com uma tinta lilás rústica, musgos verdes florescentes cresciam com esforço nas superfícies, as paredes e o teto pareciam estar em constantes atritos, se contorcendo de um lado para outro, como um quadro antigo, tentando encontrar a melhor posição para se encaixar.
Loucura, depressão? _O que será que ela quis dizer com aquilo? _Se ela pudesse ver o mundo através das minhas finas retinas, certamente não faria tais acusações, como pode uma mãe usar tais termos e estereótipos com seu o próprio filho?
Após deixar tais questões soltas pelo ar, adormeceu e foi rapidamente transportado para o outro tempo e espaço, um universo de tons estranhos onde todas as coisas tinham a cor preta ou branca. Era um enorme campo, com um céu branco e nublado, constituído de uma terra macia onde o gramado era preto e bem podado.
_Que estranho!!!_Apesar de este lugar ter cores fortes e pesadas, cresceu um gramado escuro como à noite, e o céu estar pálido sinto-me familiarizado e tranqüilo, como se estivesse em casa...
Mas antes que Féu pudesse tirar conclusões sobre aquele lugar, uma voz estrondosa como um raio dilacerante invadiu seu quarto, e rasgou seu sonho em pequenos pedaços que se transformarão  em nada.
O que tanto procura nesta terra de sonhos meu filho? _Eu já não sei o que eu faço com você? _Se não me disser o que está acontecendo eu terei que levá-lo aos Sete sábios raspados, e vamos descobrir o que está acontecendo, mesmo que tenhamos que usar a força.
_Tenho sonhos coloridos mãe. _Vejo cores diferentes um verde claro vivo, um amarelo quente revigorante, um azul de anil colorindo o céu com nuvens brancas brincando de se formar.
_Você esta entendendo meu filho!!! _ Se qualquer cidadão de nossa pequena comunidade ouvisse você falando que sonhou com a luz do dia, com um céu azul, certamente diriam que você é maluco, antes que isso aconteça e vire um grande escândalo vou te deixar internado com os anciões e recomendar que te tratem na melhor unidade medica psiquiátrica da cidade na Boca dos lodos.
_Mas mãe, espera!!!_O que foi que eu fiz? _Você não pode me mandar para aquele lugar maldito, eu soube que os que foram para lá, quando voltaram nunca mais foram os mesmos.
_Minha decisão já foi tomada, assim que o seu pai chegar vamos abrir o portal e transferi-lo para a Boca dos lodos e ponto final.
_Mas, mãe!!!
Dona Palha, era assim que chamavam a mãe de Fininho, saiu do quarto decidida a interná-lo, na unidade médica Boca dos lodos, e deixa-lo nas mãos dos cidadoes mais velhos da cidade os Velhos sábios raspados, que eram especialistas em tratar de loucos e desorientados.
Os hospitais das cidades eram subterrâneos, haviam sido construídos nos esgotos da cidade, eles acreditavam em uma medicina diferenciada onde à sujeira e a podridão eram o melhor tratamento para curar as enfermidades do corpo e da alma.
_Maluco, eu? _Por que não ela?_Me pergunta o que procuro, eu respondo, e depois ela quer me internar com aqueles velhos sugadores de alma.
Naquele exato momento a cor cinza que morava nos olhos de Féu ficou mais forte, ao ponto de deixar até suas palpetras acinzentadas, dando um ar de frieza e tristeza a sua face fina e rosada.
_Está tudo errado, não era para eu enxergar o mundo assim, acinzentado como se as cores tivessem fugido do quadro, mas com certeza, eu devo estar com algum defeito ou quebrado?_Afinal eu sou único que pode ser o culpado.
Nosso querido amigo Fininho havia começado a se interiorizar, buscava dentro de si alguma solução para aquela situação. Mas tudo aquilo era demais para sua cabeça, resolveu distrair-se um pouco antes de ter qualquer certeza, pegou uma espécie de controle remoto ao lado de sua velha fronha, clicou em frente a uma tela fina e preta, que ficava na sua instante de mármore retorcido de cores gritantes.
_Para as noites de lua cheia, compre o filtro luar Pac Cem, e tenha uma camada de proteção cem vezes aumentada.
_Droga, por que tudo e tão fútil?_Essas propagandas sem graça, só me deixam mais para baixo.
_Clik.
 _Garoto explode de tanto comer jujubas negras!!!_Como pode uma mãe deixar seu filho comer tanto doce, a chegar ao ponto de explodir, isso é uma grande travessura...
_Que tédio, eu odeio esse sensacionalismo barato, acho que vou desligar a grande tela mágica, talvez na caixinha de som, esteja tocando alguma música que me ajude a relaxar.
Féu levantou-se de sua cama com suas pernas magras como gravetos esfolados e lentamente foi até a instante, pegou uma pequena caixinha azul marinho com apenas um pequeno alto falante no meio e apertou um botão na sua lateral.
_Plick...
_Se quiser ser feliz é só dizer sim,
  Se quiser ser amado, e só querer sim,
  Se quiser ter amigos, é só falar sim.
_Sim._Que merda  de música é essa?_ Como se a vida se resumisse em uma pequena palavra como o sim, eu disse que sim e ainda estou aqui sozinho e infeliz...
_Flick...
Fininho inconformado desligou sua pequena caixinha de som, e voltou para sua cama aos resmungos. _Já não me lembro qual foi à última vez que alguma coisa me agradou. _Acho que o problema não deve ser o mundo, mas acho que sou eu que não aceito esses tipos de absurdos.
Aqueles olhos esbugalhados e cinzas brilhavam como se fossem um vaga-lume numa noite de verão e sua cabeça começou a ferver como um grande caldeirão.
_Será que eu sou maluco? _Por que eu fiquei assim? _As coisas ao meu redor, será que é tudo tão ruim? _Por que o mundo não me aceita, ou será que sou eu que não aceito o mundo?
De repente milhões de pensamentos e perguntas começaram girar na mente de Féu, como se fosse um grande turbilhão de dúvidas, idéias e questões...
_Sou eu diferente, ou diferente é o mundo?_Talvez meus olhos se escureçam por causa da hipocrisia desse mundo. _As pessoas podem acreditar em velhos quase moribundos, então eu também posso acreditar na existência de um outro mundo.
O córtex cerebral de fininho, de tanto produzir informações, questões e lembranças adormecidas. Ficou parecendo como uma máquina antiga de produção, e por conta de haver alguma engrenagem solta, acelerou sua produção ate perder o controle de sua fabricação.
O que eu sou? _Quem eu sou?_O que é a vida? _O que é a morte? _O que é o azar?_O que é a sorte?_Eu digo..._Sim..._Sim...Mas nada muda. Vou comprar filtro solar, para proteger minha pele da lua.
A psique de Féu, havia se tornado uma máquina de produção quebrada sem controle e acelerada. Agora sensações, lembranças e uma branda excitação fluíam em todo seu corpo gerando uma grande explosão de emoção.
Seu corpo não agüentou o fluxo de energia e vibrações, numa tentativa falha pôs suas mãos sobre a cabeça tentando controlar sua emoção.
_Já chega!!! _Eu não suporto mais isso, ordeno que tudo volte de onde começou.
Nas horas mais inesperadas nossos desejos se tornam realidade, e sutilmente como um grande susto, aquele turbilhão emocional voltou-se para um único ponto, onde tudo havia começado na sua cabeça.
E como um grande vendaval devastou sua pobre mente, desfigurando totalmente sua razão. Uma fumaça negra e malcheirosa começou a deslizar de seus ouvidos, como se estivessem dançando no ar, uma tremedeira incontrolável tomou conta de seu corpo. E sua cabeça começou a virar de um lado para o outro com um movimento rápido e compulsivo.
_Ha!!!_a...a...a...a...a...a...
 E essas foram as ultimas palavras dele. Espera ai, não foram palavras foi um gemido...
_Boom!!!!_Bloft!!!
De tão acelerada que a mente dele ficou, não agüentou os impactos e explodiu manchando todas as aquelas paredes roxas rústicas, com uma cor totalmente híbrida, um vermelho sangue que deu um novo tom e uma nova decoração...
_Filho!!!O porquê de tudo isso? Por que se matou?_Nós te demos de tudo, roupas, brinquedos, jogos, comida, dinheiro e até animais de estimação.
Os pedaços da cabeça de Féu enfeitavam o chão com seu sangue vermelho misturado com as lágrimas de sua mãe, escorrendo bem devagar pelos vãos, talvez sua mãe lhe tivesse dado tudo menos atenção por isso não preenchia o vazio que seu filho sentia e acusando-lhe mais uma vez retirando sua culpa, o chamou de suicida.
Se você anda sentindo um vazio estranho em seu peito, uma forte dor no coração e os seus pensamentos andam acelerados, tome cuidado. Pois você pode ser o próximo a fazer uma nova decoração, com um tom híbrido e avermelhado em seu quarto...

Autor: Levi D.S

Quero pegar alguém!!!
 A Estantânia critica de Hiena

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